terça-feira, 28 de setembro de 2010

"For all the love I found in you I'll be forever thankful" by Celine Dion

Ela balançava seu corpo livre e indiferente àqueles ao seu redor, ao salão cheio, a tudo e todos. Naquele instante só o que ouvia era a batida e a melodia, respondendo-os de forma leve e ritmada numa sintonia quase perfeita.
De olhos fechados, absorvia a atmosfera da festa. A banda, no palco, animava a pista quente e suada, enquanto parentes, nas mesas, conversavam entre goles de cerveja gelada e garfadas do jantar. A música mudava, mas ela nem sentia. Seu corpo automaticamente se adaptava ao novo estilo e continuava a balançar.
Enlouquecida pela batida, seus pés em sandálias de salto alto movimentavam-se de um lado para o outro, seus braços percorriam sua silhueta levantando um pouco seu vestido, passavam sob a cabeça e agarravam seus cabelos numa tentativa desperdiçada de se controlar.
Sua mente, finalmente, estava vazia. Não pensava em nada, não tinha preocupações, horários, datas. Seus compromissos foram adiados para o final da música, interminável até o último segundo. A melodia então a dominava, fazia-a apaixonar-se, declarar seu amor, seu ódio, sua alegria, sua história em alto som, gritando para o ar seus segredos e aventuras recém adquiridos. Estava suada, despenteada, com cara de louca, mergulhada em um mundo de um único habitante: ela. De repente, sente um toque hesitante no ombro e seu mundo aumenta. Ajeita o vestido e o cabelo discretamente, observa a sua volta e despede-se silenciosamente da festa, pega sua bolsa na mesa e parte em direção a porta. Novamente um toque no ombro, dessa vez mais confiante.
"Espere por mim." A voz suave entra em seus ouvidos mais alta do que a música de fundo. Surpresa, ela pára sem conhecimento de suas ações. Seus dedos se entrelaçam e um aperto de leve, carinhoso lhe diz que é seguro.
"Obrigado por ter vindo." Ela vira em direção a voz, reconhecendo seu interlocutor e sorri para ele. Lembra de seu corpo dançando junto ao dela, de suas mãos firmes em sua cintura, de seu cheiro hipnotizante, seu sorriso, seus olhos, seus lábios. Aproxima-se cuidadosa, com medo de assustá-lo, acaricia seus cabelos curtos e escuros e apoia a mão em seu peito, sentido seu coração bater eufórico.
Fecha os olhos, inspira. Expira. O cheiro dele parece flutuar diante dela, como algo físico que ela pudesse pegar e guardar para sempre. Inspira mais uma vez, armazenando-o na memória. Abre os olhos devagar, temendo a realidade. Ele ainda está ali.
"Obrigada por ter me convidado." Seus lábios se encontram por não mais do que 3 segundos, o que não é suficiente. Se afastam e continuam a caminhar até o carro; ele abre a porta para ela e entra em seguida. Abraçados, o caminho de volta é rápido demais e logo estão na frente da casa dela. Novamente ele abre a porta e a ajuda a sair, seus olhos se fundem num pensamento igual.
"Boa noite."

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