Tem coisas que correm em lágrimas e coisas que correm na veia. Dor, alegria, tristeza, saudade escorrem pela face, molhando docemente os labios partidos. Amor, felicidade, ódio, ansiedade pulsam pelo corpo inteiro, sagrando fervorosamente os sentimentos ardidos.
O ódio faz doer os dedos, a vontade de fechá-los num punho coça, o impulso nos leva mais perto de tigres selvagens do que gatinhos domésticos. O ódio aumenta... incha... até que explode em gritos, raiva, choro, dança, música, texto.
Os dedos batem no teclado como agulhas de vodu, e um por um escrevem as palavras que a boca não deixa dizer, mas que o coração luta para por pra fora. Eu te odeio.
O ódio corroe, nos torna maus, vingativos, egoístas. O ódio está nas pessoas, em todas elas. Alguns cedem a sua força descomunal e lutam contra seus obstáculos, outros se conformam com a vida não sendo como desejam e seguem em frente.
O ódio corre nas veias, sim. O importante é não deixar que o coração o pulse para a alma.